quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

MORTOS EM ÁREA INDÍGENA NO AMAZONAS

FOLHA.COM 04/02/2014 19h37

Familiares reconhecem corpos de mortos em área indígena no AM

JAIRO BARBOSA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM PORTO VELHO (RO)




Familiares dos homens desaparecidos desde meados de dezembro passado em Humaitá (AM) reconheceram nesta terça-feira (4) os três corpos,localizados na segunda-feira pela Polícia Federal no trecho da Transamazônica que corta a reserva indígena dos Tenharim.

Os corpos do funcionário da Eletrobras Aldeney Salvador, do representante comercial Luciano Ferreira e do professor Stef de Souza estão no IML (Instituto Médico Legal) de Porto Velho, que em dez dias entregará um laudo no qual indicará as causas das mortes.

Dois peritos do Ministério da Justiça foram enviados a Rondônia para acompanhar o trabalho dos legistas locais e recolher material genético para futuro exame de DNA em Brasília.

"É ele sim, é ele. Os pés, as mãos, um sinal no rosto, tudo, é ele sim", disse a aposentada Luzimar dos Santos Ferreira, após reconhecer o corpo do filho, Luciano Ferreira.

Os corpos serão liberados aos familiares para providenciar velório e enterro. Ferreira deve ser enterrado em Humaitá, enquanto Souza seguirá para Apuí (AM). Já familiares de Aldeney Salvador decidiram levar o corpo para Manaus, capital do Amazonas.

O trio viajava junto de carro pela rodovia Transamazônica quando desapareceu, em 16 de dezembro, o que desencadeou violentos protestos em Humaitá.

Moradores da cidade, que responsabilizam os indígenas pelo sumiço dos homens, atearam fogo à sede local da Funai (Fundação Nacional do Índio) e destruíram veículos e barcos que transportavam índios.

A população não indígena chegou a ligar os desaparecimentos a uma possível retaliação dos índios à morte do cacique Ivan Tenharim, 55.

A partir disso, a Polícia Federal iniciou uma investigação que terminou com a prisão, na semana passada, de cinco índios da etnia tenharim por suposto envolvimento no assassinato dos três homens. Eles seguem presos em Porto Velho, a 200 km de Humaitá.

Entre os cinco presos estão o cacique Domiceno Tenharim, da aldeia Taboca, onde as buscas pelos corpos se concentraram, e dois filhos do cacique Ivan Tenharim, morto no início de dezembro após cair de uma moto –um inquérito sobre o caso ainda não foi concluído.

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