REDE SUL DE RÁDIO
por Rudimar Galvan - Cacique , dia 03/10/2013 às 11:18
Índios invadem duas propriedades rurais em Sananduva. Caingangues querem demarcação de área indígena com urgência
Cerca de cem índios invadiram uma propriedade rural em Sananduva, na manhã de segunda-feira. Já na tarde de quarta-feira mais uma propriedade foi invadida por um novo grupo de índios caingangues. Esta é a terceira vez que uma propriedade do município é invadida em menos de três meses. Os indígenas reivindicam a demarcação de uma área de 1,9 mil hectares em Sananduva e em Cacique Doble.
O grupo invadiu duas propriedades na comunidade Bom Conselho e ocupou as instalações. Conforme a Brigada Militar do município, eles entraram no local armados com flechas e lanças e pedem a demarcação das terras. Caso o pedido não seja atendido, o grupo relatou à BM que deve invadir outras propriedades. Antes da invasão, de acordo com a polícia, os indígenas estavam acampados em uma área particular de Cacique Doble, município vizinho.
Os donos das propriedades já entraram na Justiça com pedidos de reintegração de posse. A Brigada Militar monitora a segurança no local e não descarta a possibilidade de acionar reforço.
Entenda do caso:
— Cerca de 110 famílias de agricultores de Sananduva e Cacique Doble, temem perder 152 propriedades devido a demarcação de terras indígenas nos municípios.
— Os índios reivindicam 1,9 mil hectares, onde residem e trabalham agricultores familiares, com propriedades de 12 hectares em média.
— A Fundação Nacional do Índio (Funai) iniciou o estudo preliminar da área em Sananduva e Cacique Doble em 2005 e concluiu o documento em 2009.
— Em 2011, o Ministro da Justiça assinou a portaria que declarou a área como terra indígena.
— Em março deste ano, iniciou o processo de demarcação. Os agricultores, que têm escrituras com mais de cem anos, pretendem lutar na Justiça pelas áreas.
— No início de julho, um grupo de 50 índios invadiu uma propriedade na Comunidade São Caetano e acirrou o conflito agrário no município.
— Uma semana depois, um protesto dos agricultores, com o bloqueio das estradas que ligam o Centro de Sananduva com a comunidade de São Caetano, terminou em uma briga generalizada entre índios e agricultores. O conflito, que teve tiroteio e pedradas, deixou pelo menos quatro pessoas feridas. Três agricultores e um indígena tiveram de ser encaminhados ao hospital.
O conflito agrário no Estado:
— Em todo o Estado, os indígenas reivindicam 100 mil hectares em novas áreas e ampliações de propriedades já delimitadas — o equivalente ao dobro do tamanho de Porto Alegre. Segundo a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul do Brasil (Fetraf-Sul), isso representaria o desalojamento de pelo menos 10 mil famílias de agricultores.
— As novas áreas e ampliações praticamente dobrariam as terras indígenas já regularizadas ou em regulamentação, contabilizadas em 108 mil hectares. No total, somariam mais de quatro vezes a dimensão da Capital.
— O Rio Grande do Sul é o Estado que apresenta o maior número de áreas indígenas sujeitas a conflito no país, conforme um levantamento do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). O relatório demonstra que 17 dos 96 territórios classificados como em situação de risco ou conflito estão localizados em solo gaúcho, o que representa 17,7% do total nacional.
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