segunda-feira, 21 de outubro de 2013

UM BARRIL DE PÓLVORA NO NORTE DO RS


ZERO HORA 21 de outubro de 2013 | N° 17590


INFORME RURAL | THIAGO COPETTI (INTERINO)



Um barril de pólvora no Norte do Estado

Um tema árido espera o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para a aguardada visita ao Estado, que não mais ocorrerá nesta quarta-feira, como previsto anteriormente. Cardozo se reunirá com produtores rurais para falar sobre a demarcação de terras indígenas no Rio Grande do Sul.

O encontro anunciado na semana passada, foi adiado para o final do mês ou início de novembro, de acordo com Ricardo Zamora, chefe de gabinete do governador Tarso Genro.

A transferência, porém, não agradou aos agricultores da Região Norte, que em protesto podem voltar às ruas com seus tratores, como fizeram na sexta-feira, em Passo Fundo, diz o presidente do sindicato rural do município, Paulo de Tarso, chamando atenção para o caso.

A situação é preocupante pelo futuro econômico dos produtores, mas também por um motivo de curto prazo. O desafio imediato do ministro não é resolver a disputa judicial, mas pelo menos arrefecer os ânimos em cidades como Sananduva e Mato Preto. Os dois municípios são um barril de pólvora com pavio não muito longo, e estão entre aqueles que podem perder grandes áreas hoje em mãos de agricultores.

– O clima é tenso, e daqui a pouco acaba tendo alguma vítima, agricultor ou índio. Entendemos o lado dos índios também, mas não se pode tirar de casa imigrantes e seus descendentes, que estão nessas terras há 140 anos – critica o presidente do sindicato rural de Passo Fundo.

Sidimar Lavandoski, integrante da diretoria da Fetraf/Sul e coordenador do tema na entidade, diz esperar que o governo traga ao encontro uma proposta de solução para desemperrar o caso de uma vez.

– Queremos basicamente que o assunto ande, porque está parado e não vemos nada ser feito. Não está se apontando um caminho para evitar as desapropriações – avalia Lavandoski.

Mais do que em Estados como o Mato Grosso do Sul – onde a maior parte das terras é fruto de grilagem, de acordo com Zamora –, no Rio Grande do Sul a questão é a legalidade das desapropriações e indenizações.

– Aqui são terras em que se têm títulos de propriedade concedidos pelo Estado. Só em Mato Preto, são 4,2 mil hectares envolvendo 370 famílias – completa Zamora, que coordena o grupo de trabalho do governo gaúcho sobre o assunto.




G1 18/10/2013 17h24

Agricultores fazem protesto contra demarcação de áreas indígenas no RS. Pelo menos 200 tratores percorreram 15 quilômetros em Passo Fundo. Grupo também se mobilizou em frente ao Ministério Público da cidade.

Fábio LehmenDa RBS TV
Pelo menos 200 tratores percorreram mais de 15 km em Passo Fundo (Foto: Fábio Lehmen/RBS TV)

Agricultores que se dizem prejudicados pela demarcação de áreas indígenas no Norte do Rio Grande do Sul realizaram na tarde desta sexta-feira (18) um “tratoraço” em Passo Fundo. Pelo menos 200 tratores percorreram mais de 15 quilômetros na área urbana da cidade. No caminho, mais de 300 agricultores aumentaram a mobilização.

“Nasci e me criei na minha terra, temos escritura e agora querem tomar”, diz o agricultor Timóteo dos Santos.

O grupo também se mobilizou em frente ao Ministério Público Federal da cidade. O ato serviu para sensibilizar a Fundação Nacional do Índio (Funai). O órgão realiza a demarcação em três áreas do Norte do estado que somam quase 30 mil hectares. Estudos antropológicos concluíram que as terras pertenceriam às famílias indígenas.

'Tratoraço' foi realizado durante a tarde em Passo
Fundo, RS (Foto: Fábio Lehmen/RBS TV)

O protesto com tratores se estendeu durante toda a tarde e complicou o trânsito da mais extensa avenida de Passo Fundo. “Se não trouxermos esse pouco de transtorno e lutar pela nossa terra, quem vai sustentar a cidade, o índio?”, indaga o produtor rural Adroaldo Carassa.

No Rio Grande do Sul, a estimativa é que dez regiões sejam demarcadas. O total atinge cerca de cem mil hectares. A Funai afirma que mantém o processo de demarcação, mas que não incentiva a retirada de agricultores.



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